'Quem não pula é muçulmano': com Lamine Yamal em campo, torcida da Espanha faz cântico islamofóbico em partida contra o Egito
Torcida da Espanha entoou cantos islamofóbicos. REUTERS/Albert Gea Durante a última Data FIFA antes da Copa do Mundo de 2026, nesta terça-feira (31), Espanha...
Torcida da Espanha entoou cantos islamofóbicos. REUTERS/Albert Gea Durante a última Data FIFA antes da Copa do Mundo de 2026, nesta terça-feira (31), Espanha e Egito se enfrentaram no Estádio Cornellà-El Prat, em Barcelona. O futebol, no entanto, ficou no segundo plano durante a partida que terminou em 0 a 0. Enquanto a bola rolava, a torcida espanhola entoou cânticos de cunho islamofóbico. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça "Quem não pular é muçulmano", cantou a torcida, de forma pejorativa, alguns minutos após o hino do Egito ser tocado sob vaias. Initial plugin text O coro poderia ter sido enquadrado no protocolo antidiscriminação da Fifa, que abrange ofensas de cunho racial, religioso e de identidade, no entanto, o árbitro búlgaro Georgi Kabakov não o acionou. Ainda com a bola rolando, o sistema de som do estádio pediu para que os cânticos cessassem, chegando até mesmo a colocar uma mensagem no telão. Partida entre Espanha e Egito foi marcada por cânticos islamofóbicos. Reprodução X Veja os vídeos que estão em alta no g1 Para além do estádio, a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), responsável pela seleção, também postou a mensagem em suas redes sociais. Lamine Yamal, craque espanhol, é muçulmano Ao entoar os cânticos, os torcedores espanhóis atacaram não apenas a religião dos egípcios, mas também a de uma das principais estrelas de sua própria seleção, Lamine Yamal, que é muçulmano e estava em campo. Nascido na Espanha e filho de pai marroquino, o jogador lamentou o ocorrido em seu Instagram. "Entendo que nem todos os torcedores são assim, mas, para aqueles que cantam esse tipo de coisa: usar uma religião como provocação em campo faz vocês parecerem ignorantes e racistas”, escreveu o jogador. “O futebol é para ser aproveitado e celebrado, não para desrespeitar as pessoas por quem são ou pelo que acreditam.” Initial plugin text Casos de racismo não são incomuns no futebol espanhol. O atacante Vinícius Júnior, do Real Madrid, tem sido alvo frequente de ofensas racistas durante partidas. Por lá, também há episódios de sexismo, como o escândalo envolvendo o então presidente da federação, Luis Rubiales, que beijou a jogadora Jenni Hermoso após a final da Copa do Mundo Feminina de 2023 — caso pelo qual acabou sendo considerado culpado por agressão sexual. A Associação Egípcia de Futebol classificou os cânticos como um “ato racista repreensível” e criticou ainda a falta de respeito durante a execução do hino nacional egípcio antes do jogo. “Essas ações são totalmente inaceitáveis em estádios de futebol e representam um fenômeno negativo que deve ser combatido e erradicado coletivamente”, afirmou a entidade, em nota. A federação também destacou que “valoriza as manifestações de repúdio e condenação feitas pela Federação Espanhola, pelo Ministério do Esporte da Espanha, além de dirigentes e figuras do futebol no país”. Segundo a entidade, há articulação com representantes da FIFA e outras instituições para evitar que episódios semelhantes se repitam em estádios ao redor do mundo.